PRESERVAÇÃO DIGITAL SISTÊMICA PARA DOCUMENTOS ARQUIVÍSTICOS

Autores

  • Henrique Machado dos Santos Universidade Federal do Rio Grande
  • Lucieli Francini Barni Associação de Caridade Santa Casa de Rio Grande

Palavras-chave:

Repositório digital confiável, Repositório arquivístico, Preservação sistêmica, Cadeia de custódia, Arquivologia

Resumo

O presente artigo tem por objetivo discutir a preservação de documentos arquivísticos digitais no âmbito da Teoria Geral dos Sistemas (TGS). O método consiste em uma revisão narrativa que parte do levantamento bibliográfico de materiais previamente publicados, configurando-se como uma pesquisa de natureza aplicada, de caráter descritivo. Os resultados obtidos sugerem que a preservação digital deve se deslocar da lógica linear (produção, gestão, preservação e acesso) para uma abordagem sistêmica, denominada Preservação Digital Sistêmica (PDS). Na perspectiva da PDS as políticas normativas e os procedimentos técnicos de preservação devem ser considerados ao longo de todo o ciclo de vida dos documentos, para minimizar os impactos da obsolescência tecnológica. Ou seja, é primordial que as preocupações com a preservação e o acesso longo prazo comecem antes mesmo da produção dos documentos. Por fim, conclui-se que a perspectiva sistêmica representa um salto qualitativo que eleva a confiabilidade dos sistemas informatizados que custodiam documentos arquivísticos digitais. Portanto, uma política de PDS requer fundamentação em normas e padrões recomendados, além de manter conformidade com a legislação vigente.

Biografia do Autor

Henrique Machado dos Santos, Universidade Federal do Rio Grande

Arquivista lotado na Coordenação de Arquivo Geral da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Doutorando em Memória Social e Patrimônio Cultural pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Mestre em Patrimônio Cultural (2018) e Bacharel em Arquivologia (2014), ambos pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). E-mail: henrique.hms.br@gmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/2224553749651399. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2497-7321.

Lucieli Francini Barni, Associação de Caridade Santa Casa de Rio Grande

Arquivista, Mestre em Ciência da Informação pela UFRGS (2024) e Bacharel em Arquivologia pela FURG (2022). Atualmente, atua na Associação de Caridade Santa Casa de Rio Grande, na coordenação do Serviço de Arquivo Médico e Estatística (SAME). E-mail: lucielifra2014@gmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/9778509873665387. ORCID: https://orcid.org/0009-0001-0514-6549.

Referências

ARCHIVO GENERAL DE LA NACIÓN (Colombia). Subdirección de tecnologías de la información archivística y documento electrónico. Fundamentos de preservación digital a largo plazo. Bogotá, DC: Archivo General de La Nácion, 2018. Disponível em: https://www.archivogeneral.gov.co/sites/default/files/Estructura_Web/5_Consulte/Recursos/Publicacionees/FundamentosPreservacionLargoPlazo.pdf. Acesso em: 10 jul. 2026.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15472:2007. Sistemas espaciais de dados e informações – Modelo de referência para um sistema aberto de arquivamento de informação (SAAI). Rio de Janeiro: ABNT, 2007.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR ISO 19011:2018. Diretrizes para auditoria de sistemas de gestão. Rio de Janeiro: ABNT, 2018.

BERTALANFFY, L. von. Teoria geral dos sistemas: fundamentos, desenvolvimento e aplicações. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 2010.

BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Portaria nº 2.664, de 6 de março de 2026. Institui a Política de Integridade na Atividade Científica do CNPq. Brasília, DF: CNPq, 2026. Disponível em: http://memoria2.cnpq.br/web/guest/view/-/journal_content/56_INSTANCE_0oED/10157/23142775?COMPANY_ID=10132. Acesso em: 10 jul. 2026.

CONSELHO NACIONAL DE ARQUIVOS. Câmara Técnica Consultiva. Diretrizes para implementação de repositórios arquivísticos digitais confiáveis (RDC-Arq): certificação de Repositórios Arquivísticos Digitais Confiáveis: 2ª versão. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/conarq/pt-br/legislacao-arquivistica/resolucoes-do-conarq/Diretrizes_certificacao_rdc_arq_2023_12_12.pdf. Acesso em: 10 jul. 2026.

CONSELHO NACIONAL DE ARQUIVOS. Câmara Técnica de Documentos Eletrônicos. Carta para a Preservação do Patrimônio Arquivístico Digital. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2004. Disponível em: https://www.gov.br/conarq/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/conarq_carta_preservacao_patrimonio_arquivistico_digital.pdf. Acesso em: 10 jul. 2026.

CONSELHO NACIONAL DE ARQUIVOS. Câmara Técnica de Documentos Eletrônicos. e-ARQ Brasil: Modelo de Requisitos para Sistemas Informatizados de Gestão Arquivística de Documentos: 2ª versão. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/conarq/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/EARQV203MAI2022.pdf. Acesso em: 10 jul. 2026.

CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração: uma visão abrangente da moderna administração das organizações. 7. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.

CONSULTATIVE COMMITTEE FOR SPACE DATA SYSTEM. Audit and Certification of Trustworthy Digital Repositories (ACTDR): Magenta Book. Washington: CCSDS, 2024a. Disponível em: https://ccsds.org/Pubs/652x0m2.pdf. Acesso em: 10 jul. 2026.

CONSULTATIVE COMMITTEE FOR SPACE DATA SYSTEM. Reference Model for an Open Archival Information System (OAIS): Magenta Book. Washington: CCSDS, 2024b. Disponível em: https://ccsds.org/wp-content/uploads/gravity_forms/5-448e85c647331d9cbaf66c096458bdd5/2025/01//650x0m3.pdf. Acesso em: 10 jul. 2026.

CORDEIRO, A. M.; OLIVEIRA, G. M. de; RENTERÍA, J. M.; GUIMARÃES, C. A. Revisão sistemática: uma revisão narrativa. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Rio de Janeiro, v. 34, n. 6, p. 428-431, 2007. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0100-69912007000600012. Acesso em 10 jul. 2026.

DE SORDI, J. O. Administração da informação: fundamentos e práticas para uma nova gestão do conhecimento. São Paulo: Saraiva, 2008.

DIAS, R. Cultura organizacional. 3. ed. Campinas: Editora Alínea, 2012.

DORNELES, S. L.; CORRÊA, R. F. Gestão de documentos digitais em aplicações de Certificação digital. Informação Arquivística, Rio de Janeiro, v. 2, n. 2, p. 3-31, 2013. Disponível em: http://www.aaerj.org.br/ojs/index.php/informacaoarquivistica/article/view/28. Acesso em: 10 jul. 2026.

FLORES, D.; PRADEBON, D. S.; CÉ, G. Análise do conhecimento teórico-metodológico da preservação digital sob a ótica da OAIS, SAAI, ISO 14721 e NBR 15472. Brazilian Journal of Information Science: research trends, Marília, v. 11, n. 4, p. 72-80, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.36311/1981-1640.2017.v11n4.11.p73. Acesso em: 10 jul. 2026.

GAVA, T. B. S. A preservação digital sistêmica em instituições arquivísticas brasileiras. In: GAVA, T. B. S. G.; ALEIXO, D. V. B. S. (org.). Arquivologia e transformação digital: preservação e acesso à informação pública. Belo Horizonte: Fino Traço, 2026. p. 45-61.

GAVA, T. B. S.; FLORES, D. Repositórios arquivísticos digitais confiáveis (RDC-Arq) como plataforma de preservação digital em um ambiente de gestão arquivística. Informação & Informação, Londrina, v. 25, n. 2, p. 74-99, jul. 2020. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5433/1981-8920.2020v25n2p74. Acesso em: 10 jul. 2026.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

GONÇALVES, E. P. Conversas sobre iniciação científica. 5. ed. Campinas: Alínea, 2011.

GRÁCIO, J. C. A.; MÁRDERO ARELLANO, M. Á. A gestão da preservação digital de dados de pesquisa: proposta de um modelo processual. Revista Brasileira de Preservação Digital, Campinas, v. 1, p. e020001, 2020. Disponível em: https://rbpd.emnuvens.com.br/rebpred/article/view/13223/8622. Acesso em: 10 jul. 2026.

HEDSTROM, M. Digital preservation: a time bomb for digital libraries. Computer and the humanities, [s. l.], n. 31, p. 189-202, 1998. Disponível em: http://deepblue.lib.umich.edu/bitstream/2027.42/42573/1/10579_2004_Article_153071.pdf. Acesso em: 10 jul. 2026.

HEDSTROM, M. Digital Preservation: Problems and Prospects. [S. l.: s. n.], 2001. Disponível em: http://www.dl.slis.tsukuba.ac.jp/DLjournal/No_20/1-hedstrom/1-hedstrom.html. Acesso: 10 jul. 2026.

INNARELLI, H. C. Preservação digital e seus dez mandamentos. In: SANTOS, V. B. dos (org.). Arquivística: temas contemporâneos: classificação, preservação digital, gestão do conhecimento. 3. ed. Brasília, DF: SENAC, 2009. p. 21-75.

INNARELLI, H. C. Preservação digital: a gestão e a preservação do conhecimento explícito digital em instituições arquivísticas. InCID, Ribeirão Preto, v. 3, n. 2, p. 48-63, 2012. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/incid/article/view/48653. Acesso em: 10 jul. 2026.

INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION (ISO). ISO 14721:2012: Space data and information transfer systems: open archival information system – Reference model. Geneva: ISO, 2025a.

INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION (ISO). ISO 16363:2025: Space data and information transfer systems: audit and certification of trustworthy digital. Geneva: ISO, 2025b.

INTERPARES 2 PROJECT. Diretrizes do Preservador: a preservação de documentos arquivísticos digitais: diretrizes para organizações. Tradução: Arquivo Nacional e Câmara dos Deputados. Vancouver: Interpares Project, 2007. Disponível em: http://www.interpares.org/display_file.cfm?doc=ip2_preserver_guidelines_booklet--portuguese.pdf. Acesso em: 10 jul. 2026.

LUNA, S. V. de. Planejamento de pesquisa: uma introdução. São Paulo: EDUC, 1997.

LUZ, C. dos S. A interoperabilidade na preservação da informação arquivística: os metadados e a descrição. Informação Arquivística, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 27-48, 2016. Disponível em: http://www.aaerj.org.br/ojs/index.php/informacaoarquivistica/article/view/139. Acesso em: 10 jul. 2026.

MÁRDERO ARELLANO, Miguel Ángel Márdero; LEITE, Fernando César Lima. Acesso aberto à informação científica e o problema da preservação digital. Biblios, Brasília, DF, n. 35, p. 1-11, 2009. Disponível em: http://repositorio.unb.br/handle/10482/4937. Acesso em: 10 jul. 2026.

MATA CARAVACA, M.; MONTE, M. Il ruolo delle policy per i sistemi documentari. JLIS.it., Firenze, v. 6, n. 2, p. 34-76, 2015. Disponível em: https://www.interpares.org/display_file/ip3_italy_dissemination_jar_caravaca~monte_jlis-it-6-2_2015.pdf. Acesso em: 10 jul. 2026.

OLIVEIRA, E. B.; BATISTA, D. A. Auditoria arquivística: uma proposta de requisitos. Informação & Sociedade, João Pessoa, v. 29, n. 1, p. 159-180, 2019. Disponível em: http://dx.doi.org/10.22478/ufpb.1809-4783.2019v29n1.44006. Acesso em: 10 jul. 2026.

PESTANA, O. Auditoria de informação: definição e evolução da atividade no contexto da gestão da informação e das organizações. Páginas a&b, Porto, n. 2, p. 49-64, 2014. Disponível em: http://ojs.letras.up.pt/index.php/paginasaeb/article/view/599/579. Acesso em: 10 jul. 2026.

RAVELO DÍAZ, G.; MENA MUGICA, M. M.; DEL CASTILLO GUEVARA, J. Requisitos para la valoración de riesgos de preservación en repositorios digitales. Biblios, Brasília, n. 75, p. 25-34, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.5195/biblios.2019.484. Acesso em: 10 jul. 2026.

ROCKEMBACH, M. Evidência da Informação em plataformas digitais: da reflexão teórica à construção de um modelo. Informação Arquivística, Rio de Janeiro, v. 2, n. 1, p. 89-109, jan./jun. 2013. Disponível em: https://www.aaerj.org.br/ojs/index.php/informacaoarquivistica/article/view/21/13. Acesso em: 10 jul. 2026.

RODRÍGUEZ BRAVO, B. Los repositorios de información, guardianes de la memoria digital. Anales de Documentación, Murcia, n. 10, p. 361-374, 2008. Disponível em: https://revistas.um.es/analesdoc/article/view/1251. Acesso em: 10 jul. 2026.

SANTOS, H. M. dos; FLORES, D. Infraestrutura organizacional necessária ao repositório arquivístico digital confiável: um diálogo com a ISO 16363. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 16, p. 1-29, 2020. Disponível em: https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/1305. Acesso em: 10 jul. 2026.

SANTOS, H. M. dos; FLORES, D. Políticas de preservação digital para documentos arquivísticos. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 20, n. 4, p. 197-217, 2015. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1981-5344/2542. Acesso em: 10 jul. 2026.

SANTOS, H. M. dos; HEDLUND, D. C. Cenários de uso do RDC-Arq integrado ao SIGAD. Revista Brasileira de Preservação Digital, Campinas, v. 7, p.1-34, 2026. Disponível em: https://rbpd.emnuvens.com.br/rebpred/article/view/20840. Acesso em: 10 jul. 2026.

SILVA, E. L. da; MENEZES, E. M. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. 4. ed. rev. atual. Florianópolis: UFSC, 2005. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/312125489. Acesso em: 10 jul. 2026.

SOUSA, R. T. B. de. A classificação como função matricial do que-fazer arquivístico. In: SANTOS, V. B. dos (org.). Arquivística: temas contemporâneos: classificação, preservação digital, gestão do conhecimento. Brasília, DF: SENAC, 2009. p. 79-172.

SOUSA, R. T. B. de. Em busca de um instrumental teórico-metodológico para a construção de instrumentos de classificação de documentos de arquivo. In: BARTOLO, L.; MORENO, N. A. (org.). Gestão em Arquivologia: abordagens múltiplas. Londrina: Eduel, 2008. p. 12-52.

SCHELLENBERG, T. R. Arquivos modernos: princípios e técnicas. 6. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006.

VOLPATO, G. L.; BARRETO, R. E.; UENO, H. M.; VOLPATO, E. de S. N.; GIAQUINTO, P. C.; FREITAS, E. G. de. Dicionário crítico para redação científica. Botucatu: Best Writing, 2013.

VOUTSSÁS MÁRQUEZ, J. Preservación documental digital y seguridad informática. Investigación Bibliotecológica: archivonomía, bibliotecología e información, Ciudad de México, v. 24, n. 50, 2010, p. 127-155. Disponível em: http://dx.doi.org/10.22201/iibi.0187358xp.2010.50.21416. Acesso em: 10 jul. 2026.

Downloads

Publicado

2026-10-06

Como Citar

Santos, H. M. dos, & Barni, L. F. (2026). PRESERVAÇÃO DIGITAL SISTÊMICA PARA DOCUMENTOS ARQUIVÍSTICOS. OFFICINA - Revista Da Associação De Arquivistas De São Paulo, 5(2). Recuperado de https://revista.arqsp.org.br/index.php/revista-da-associacao-de-arquivi/article/view/198